sexta-feira, 30 de abril de 2010

Grand Guignol, cinema e quadrinhos

 
Foto: divulgação.

Crítica da peça Nervo Craniano Zero, da Cia Vigor Mortis de Curitiba
A peça Nervo Craniano Zero, que esteve em cartaz no mês de março dentro da Mostra Fringe do Festival de Curitiba, foi escrita e dirigida por Paulo Biscaia Filho e encenada pela companhia curitibana Vigor Mortis, que desde 1997 pesquisa e trabalha a linguagem do Grand Guignol. O gênero se baseia nas estéticas do Teatro de Horror de Paris e surgiu no final do século XIX na França. Teve como inspiração inicial as obras de escritores como Edgar Alan Poe e André de Lorde (le prince de terreur) e encaixou-se perfeitamente no espírito decadentista que dominou a literatura francesa do período. O traço marcante do Grand Guignol é a exploração do terror e da violência em cena. É a partir deste contexto que vem à cena Nervo Craniano Zero, trazendo para a contemporaneidade esta linguagem, com uma roupagem que rende ainda homenagens aos mestres dos quadrinhos noir como Will Eisner, Frank Miller e Garth Ennis e ao cinema do diretor canadense David Cronenberg, um dos mestres do cinema de terror e violência.
A trama discute, através da linguagem do Grand Guignol, os impasses da inventividade e da criação artística ou da ausência da criatividade. O espectador é convidado a conhecer a história de um médico (Leandro Daniel Colombo), uma escritora (Michelle Pucci) e uma simplória garota do interior (Rafaella Marques). Os destinos dessas três personagens se cruzam quando, depois de perder a esposa durante a criação de sua invenção – um chip indutor de dopamina, que uma vez instalado no nervo craniano zero, supostamente, daria a seu usuário surtos ilimitados de criatividade – o doutor é contratado pela escritora que, após alcançar a notoriedade com seu último trabalho, morre de medo de não conseguir mais escrever nenhum livro de sucesso. Cautelosa, ela coloca um anúncio no jornal para que uma cobaia humana teste o chip. A única a responder é uma garota que tinha a pretensão de ser uma grande cantora e é humilhada em cadeia nacional em um programa de calouros na televisão. Sem nada a perder, a moça aceita implantar a engenhoca em seu cérebro. Para que essas transformações aconteçam em cena, Biscaia não poupou sangue, pois o público vê no palco uma operação no crânio (ao som de Total Eclipse of the Heart de Bonnie Tyler), corações arrancados, tesouradas na nuca, entre outros recursos típicos das histórias de terror que, apesar de criarem situações extremamente cômicas, são levados a sério pela companhia curitibana.
A encenação da Vigor Mortis envereda pela fusão entre a linguagem teatral e a linguagem ágil do cinema no momento em que há uma espécie de simbiose na interação entre os atores no palco e o vídeo. Este inclusive é um dos motes da companhia paranaense, que procura explorar as possibilidades do horror e da violência como forma de linguagem artística, aliadas ao uso de recursos multimídias de forma orgânica com a dramaturgia e a interpretação. O objetivo é levar cena, texto e interpretação ao limite entre a linguagem teatral e audiovisual. O recurso visual aqui não surge como elemento meramente ilustrativo, atua como se fosse um quarto ou quinto personagem, que trabalha como um elo de ligação entre os quadros. Este expediente acaba nos envolvendo em um estado no qual os territórios das sensações e as relações humanas do cotidiano se confundem com a atuação. Por mais inverossímeis e inusitadas que sejam, em dado momento, somos abarcados por aquelas personagens e as situações apresentadas. A experiência teatral se dá não somente no campo visual, mas também no campo sensorial. Por mais que haja uma “quarta-parede” que separe palco e platéia somos conduzidos pelo clima nonsense, o kitsch, o suspense, o terror e a comédia.
Foto: divulgação.

Em Nervo Craniano Zero fica evidente a fusão de três linguagens em especial: a teatral, a cinematográfica e a estética das histórias em quadrinhos. Difícil é não associar a encenação a esta última linguagem. Paulo Biscaia se nutre do melhor que o mundo das graphic novels pode nos oferecer e põe em cena quadros que somente encontraríamos nas histórias públicadas por Will Eisner e seu célebre Spirit. Essa forma se apresenta não somente como uma proposta estilística de materialização da originalidade da arte sequencial, mas também em uma via, senão metodológica, ao menos propositiva, de trabalhar o gesto, a fala, a respiração, o movimento, a expressão, a configuração e a simbolização cênica, e de exacerbar os clichês. As personagens são propositalmente estereotipadas. Patrice Pavis afirma que ações estereotipadas e a utilização de tais estereótipos no teatro oferecem pouco interesse do ponto de vista da originalidade dramatúrgica ou da análise psicológica (PAVIS, 2005:144). Entretanto, em Nervo Craniano Zero, o diretor e dramaturgo explorou em seu benefício essa pobreza congênita dos estereótipos e dos clichês. Remetendo o espectador a tipos de personagens já conhecidos, ele ganha tempo para melhor manipular a intriga, concentrar-se nos saltos da ação e trabalhar a teatralidade da atuação/jogo dos atores. Os estereótipos dramatúrgicos resolvem de imediato a questão da caracterização e do jogo psicológico: eles convidam o encenador a um jogo muito teatral, imaginativo e muitas vezes paródico. Nós espectadores, em um primeiro instante, nos sentimos de certa maneira frustrados pela ausência de uma maior catarse psicológica e de identificação, mas encontramos em seguida, na correspondência dramatúrgica do jogo cênico, um grande prazer nesta experiência teatral.
OBS: Crítica originamente publicada na revista eletrônica Questão de Crítica (www.questaodecritica.com.br) edição de abril de 2010.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Merci beaucoup, mademoiselle Bruni


Eu tive que criar este post depois de ser homenageado pela Carla Bruni, ou Senhora Sarkozy. Ela fez essa música pensando em mim, lógico. Vou postar primeiro a letra em francês que é mais chique e na sequência a tradução.

Brincadeiras a parte, a moça canta muito, além de ser uma gata!!!

Se cuida Sarkozy!


Raphaël

Quatre consonnes et trois voyelles
C'est le prénom de Raphaël
Je le murmure à mon oreille
Et chaque lettre m'émerveille
C'est le tréma qui m'ensorcelle
Dans le prénom de Raphaël
Comme il se mêle au a au e,
Comme il les entre-mêle au l
Raphaël à l'air d'un ange
Mais c'est un diable de l'amour
Du bout des hanches
Et de son regard de velours
Quand il se penche
Quand il se penche mes nuits sont blanches
Et pour toujours
Hmm

J'aime les notes au goût de miel
Dans le prénom de Raphaël
Je les murmure à mon réveil
Entre les plumes du sommeil
Et pour que la journée soit belle
Je me parfume Raphaël
Peau de chagrin pâtre éternel
Archange étrange d'un autre ciel
Pas de délice pas d'étincelle
Pas de malice sans Raphaël
Les jours sans lui deviennent ennui
Et mes nuits s'ennuient de plus belle
Pas d'inquiétude pas de prélude
Pas de promesse à l'éternel
Juste le monde dans notre lit
Juste nos vies en arc en ciel
Raphaël a l'aire d'un sage
Et ses paroles sont de velours
De sa voix grave
Et de son regard sans détour
Quand il raconte
Quand il invente je peux l'écouter
Nuit et jour
Hmm

Quatre consonnes et trois voyelle
C'est le prénom de Raphaël
Je lui murmure à son oreille
Ça le fait rire comme un soleil


Raphaël

Quatro consoantes e três vogais
É o nome de Raphaël
Eu o murmuro à minha orelha
E cada letra me enlouquece
É o trema que me emerge
No nome de Raphaël
Como ele mistura-se ao 'A', ao 'E',
Como ele mistura-os ao 'L'
Raphaël tem o ar de um anjo
Mas é um diabo do amor
Da extremidade dos quadris
E de seu olhar de veludo
Quando inclina-se
Quando inclina-se, minhas noites são brancas
E para sempre
Humm

Amo as notas ao gosto de mel
No nome de Raphaël
Eu as murmuro ao despertar
Entre as plumas do sono
E para que o dia seja belo
Eu me perfumo Raphaël
Pele de seda, pastor eterno
Arcanjo estranho de um outro céu
Sem delícia, sem faísca
Nem malícia, sem Raphaël
Os dias sem ele tornam-se enfado
E as minhas noites se entediam do mais belo
Sem inquietude, sem prelúdio
Sem promessa eterna
Só o mundo na nossa cama
Só nossas vidas em arco-íris
Raphaël tem o ar de um sábio
E suas palavras são de veludos
De sua voz grave
E de seu olhar sem rodeio
Quando ele conta
Quando ele inventa, posso ouví-lo
Noite e dia
Hmm

Quatro consoantes e três vogais
É o nome de Raphaël
Eu o murmuro à sua orelha
Isso o faz rir como um sol

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

ENCERRANDO CICLOS

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos.
Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou esposa, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora.
Soltar.
Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, e portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre o mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não tem data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa, nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Fecha a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu própria, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.
E lembra-te: “Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”.


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Nem ouse me olhar assim

Se tem uma coisa que eu odeio é que me olhem com aquele olhar de coitadinho. Eu não sou e nem nunca vou ser o objeto de pena dos outros. Eu sou um cara que batalho muito pelas coisas as quais eu acredito e não preciso de olhares condescendentes em relação a minha pessoa. Se for pra me olhar assim, na boa, muda de calçada, finge que não me viu ou melhor: Vai à merda!!
Eu ainda não realizei metade dos meus sonhos, que aliás não são muitos. Mas tenho sentido nestes últimos dias o valor de cada conquista. Cada conquista minha e de mais ninguém. Estou passando por um momento muito egoísta e tem sido bom. Tinha esquecido de como é bom você cuidar de você mesmo. Eu costumo de me abandonar de tempos em tempos. Eu sempre digo que isso nunca mais vai acontecer e acabo repetindo meus erros. Mas uma hora eu aprendo. De porrada em porrada, uma hora a gente assimila e muda. E o tempo da mudança chegou pra ficar. Todos que me encontram costumam me perguntar: " E aí? Como você está?" eu respondo: "Bem..." assim lacônicamente, porque não tenho saco de me explicar muito. Não nestes últimos dias.
Mas a grande verdade é que EU ESTOU ÓTIMO!!!
Melhor do que nunca. Feliz comigo, andando pra frente sempre. Não olhando mais para o que passou.
E é assim que eu vou evoluindo!!!

Música do meu momento:

You Can't Always Get What You Want

Rolling Stones

I saw her today at the reception
A glass of wine in her hand.
I knew she was gonna meet her connection,
At her feet was a footloose man.

And you can't always get what you want,
Honey, you can't always get what you want.
You can't always get what you want
But if you try sometimes, yeah,
You just might find you get what you need!

I went down to the demonstration
To get our fair share of abuse,
Singing, "We gonna vent our frustration."
If we don't we're gonna blow a fifty amp fuse.
So, I went to the Chelsea Drugstore
To get your prescription filled.
I was standing in line with my friend, Mr. Jimmy.
And man, did he look pretty ill.
We decided that we would have a soda,
My favorite flavour was cherry red.
I sing this song to my friend, Jimmy,
And he said one word to me and that was "dead."
And I said to him

And you can't always get what you want, honey.
You can't always get what you want.
You can't always get what you want.
But if you try sometimes, yeah,
You just might find you get what you need!

I saw her today at the reception.
In her glass was a bleeding man.
She was practiced at the art of deception;
I could tell by her blood-stained hands.

And you can't always get what you want, honey.
You can't always get what you want.
You can't always get what you want,
But if you try sometimes, yeah,
You just might find you get what you need!

And you can't always get what you want, honey,
You can't always get what you want,
You cant always get what you want,
But if you try sometimes, yeah,
You just might find you get what you need

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Angeli italiano

Quase três da manhã de uma quarta-feira de novembro e do nada me bateu uma saudade louca de você, meu anjo italiano.
Este texto é pra você meu amor!
Deus te levou há 20 anos e como fui negligente de nunca olhar nos seus olhos e dizer te em alto e bom som EU TE AMO.
Você foi, é e sempre vai ser o meu norte. Minha mãe açucarada. Como gostaria neste exato momento exaltar seus cabelos cor de prata e sentir novamente o seu perfume, me aninhar em seus braços calorosos pra me sentir amado, querido,importante.
Nonna Maria.
Maria Domênica Bonatto. Que saudades. Você faz muita falta viu?
Estava aqui lembrando de quanto amor você me dedicou. Acho que esse banzo foi por causa da música que eu estava escutando agora. Ela me lembra você. "Haja o que houver eu estou aqui", essa frase é exatamente o que você me diria e creio que até me sussura aos ouvidos enquanto sonho.
Uma lágrima fina escorre do meu rosto. E pouco a pouco elas engrossam.
Mas não é de tristeza, de forma alguma. Tem nostalgia e alegria neste pranto. Saudade pura.
Eu gosto de me emocionar quando lembro de ti.
Lembro com carinho dos mimos, dos chamegos que me estragavam. Sinto falta deles. Sinto falta do seu amor verdadeiro e incondicional.
Lembro das noite em que passava ao meu lado, me fazendo massagens na barriga porque eu estava passando mal enjoado. Tinha sempre isso quando era criança. Lembro das manhãs regadas a Nescau gelado e pão quentinho. Lembro de quando despertava de uma noite de sono com o sabor de um Charge que você colocava na minha boca. Era o sinal de que o dia estava para começar. Suquinho de laranja, bolinho de sardinha e cafuné. Que gostoso era as suas mãos passando pelos meus cabelos.
Como eu era feliz e não me dava conta disso. Só o tempo pra ensinar o valor daquilo que não temos mais.
Lembro de tanta coisa: Piscina Regan, Playmobil e jogos de Atari - toda semana tinha um novo esperando pela gente. Lembro também das broncas, dos conselhos que você nos dava e que raramente ouvíamos. “Menino desce deste muro!!! Vai se arrebentar!!” “Não corre com essa bicicleta, você vai se machucar!!” E geralmente você tinha razão, nos machucávamos. Muito. E depois de ouvir um “Eu te avisei, maledetto!!!” Vinha o socorro em forma de curativos e mais mimos. Você foi o anjo mais perfeito que passou por essa terra nonna mia de mio cuore. Sei que um dia vamos nos reencontrar. Em algum lugar lá de cima, tenho a certeza de que você zela por mim e pelo Michel. Cuida da gente. Como eu te amo nonna!!!
Essa mensagem é pra deixar eternizado o meu sentimento e o meu mais profundo agradecimento por você ter feito parte mais do que importante da minha vida. O que sei hoje sobre o amor, sobre o cuidar, o respeitar é fruto da convivência que tive com você ao longo de 14 anos, meu anjo.

Sei que de alguma forma você vai “ler” essa declaração.

Essa música é pra ti, vózinha!!!!

HAJA O QUE HOUVER - Madredeus

Haja o que houver
Eu estou aqui
Haja o que houver
espero por ti

Volta no vento ô meu amor
Volta depressa por favor
Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor...

Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti...

Há quanto tempo, já esqueci
Porque fiquei, longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor

Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ahhh...a música

Eu voltei a cantar...
Hoje o dia foi de conquistas importantes para mim. Eu voltei a me emocionar a ouvir uma música. Uma não, várias me invadiram os ouvidos e me arrancaram da mesmice dos últimos tempos.
Tenho que concordar com Nietzsche de que a música é a expressão máxima do dionísiaco. Ela arrebata, leva a embriaguez, te entorpece. Por incrível que possa parecer essa música de hoje não é daquelas que são unanimidades, mas eu gosto. E ela chegou aos meus ouvidos por acaso no caminho de ida para o trabalho e ficou comigo o dia inteiro. E por mais que a letra possa ser altamente sugestiva, não se engane. Ela não é pra você!!!

Os livros na estante já não tem mais tanta importância
Do muito que eu li, do pouco que eu sei
Nada me resta
A não ser a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei
Nem que seja só para estar ao seu lado
Só pra ler no seu rosto
Uma mensagem de amor
A noite eu me deito,
Então escuto a mensagem no ar
Tambores rufando
Eu já não tenho nada pra te dar
A não ser a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei
Nem que seja só para estar ao seu lado
Só pra ler no seu rosto
Uma mensagem de amor
No céu estrelado eu me perco
Com os pés na terra
Vagando entre os astros
Nada me move nem me faz parar
A não ser a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei
Nem que seja só para estar ao seu lado
Só pra ler no seu rosto
Uma mensagem de amor

Deixa eu brincar de ser feliz de novo


Não aguentei...
Tive que escrever. Li dois trechos em dois blogs que mexeram comigo. Encontrei nas palavras aquilo que eu venho tentando dizer a mim mesmo a dias.

Hoje fui feliz pela primeira vez em meses. Estava feliz comigo. Estou me libertando do sentimento e da lembrança que não desejo mais carregar. É um fardo que não vou carregar.
Dartagnan voltou a encontrar Porthos, Atos e Aramis e com eles bebou, comeu e sorriu.
Simples assim. Livre. Sem culpa de si, sem se vitimizar, sem sofrer.
Apenas eu e eles, na simplicidade de uma amizade pura e sem interesses. Nós nos gostamos e pronto. Somos de quatro cantos diferentes, Rio, Goiás, Rio Grande do Sul e Paraná. Reunião de amigos que há muito não se encontravam. E parece que o tempo não passou pra nós. Estávamos ali, unidos na alegria de fumar um cigarro e beber um vinho em meio a risadas, brincadeiras e ouvir mísica boa. Já tinha um tempo que a música não me tocava. E hoje ela me arrebatou em uma embriaguez quase dionisíaca. Vimos juntos aquela foto que é o sinônimo perfeito para a palavra AMIGO. E eu tive a certeza de que sim, eu tenho uma família por aqui.

O amor está no encontro, já dizia Vinícius de Moraes.

.....

Chega de planejar o futuro e tropeçar no presente.
Chega de pensar demais e fazer de menos.
Chega de pensar de um jeito e fazer de outro.
Chega de corpo dizer sim e a cabeça não.
Chega desses intermináveis conflitos que
me fazem adiar para nunca a minha decisão.
Este ano eu vou viver.

Vinícius de Morais


“...O senhor é tão moço, tão aquém de todo começar, que lhe rogo, como melhor posso, ter paciência com tudo, tudo o que há para resolver em seu coração e procurar amar as próprias perguntas como quartos fechados ou livros escritos num idioma estrangeiro. Não busque por enquanto respostas que não lhe podem ser dadas, porque não as poderia viver. Pois trata-se precisamente de viver tudo. Viva por enquanto as perguntas. Talvez depois, aos poucos, sem que o perceba, num dia longíguo, consiga viver a resposta....”

R.M.Rilke